sexta-feira, 23 de abril de 2010

Variações Táticas de Futebol Society

Com a bola nos pés, os seis jogadores de linha se tornam atacantes, liderados pelo pivô, que exerce a mesma função do pivô do futsal; sem a bola, os seis jogadores tornam-se defensores, marcando individualmente e organizados pelo beque (fixo)

Por Marcelo Marcondes Fonseca

A atitude do pivô na organização do ataque e a movimentação dos alas são fundamentais para a equipe. Ops, o que faz essa linguagem do basquete em uma revista de futebol? Sem confusões, é futebol mesmo: society, modalidade que atrai 4 milhões de praticantes só no Estado de São Paulo. No futebol de campo, qualquer um que acompanhe conhece e palpita sobre os esquemas táticos. Alguns até sentenciam que o time foi mal porque o técnico optou pelo 3-5-2. “Se tivesse montado um 4-4-2...” Ok. E no society?

Quais são os esquemas de jogo? Como jogam as principais equipes? Como se movimentam o goleiro e os seis atletas da linha?

Obviamente, no campo menor, os times jogam mais compactos, e os jogadores têm de ser versáteis. Mesmo porque, tal como acontece no futsal, há a possibilidade de uma equipe disputar uma partida com somente quatro jogadores em campo, pois, segundo as regras do esporte, cada time pode ter até três atletas expulsos durante o jogo. Assim, é preciso que cada jogador saiba atacar e defender, para saber preencher os espaços.
Técnicos e atletas do society apontam uma regra básica: com a bola nos pés, os seis jogadores de linha se tornam atacantes, liderados pelo pivô, que exerce a mesma função do pivô do futsal, ou seja, organizar o ataque e finalizar quando preciso. Sem a posse de bola, os seis jogadores tornam-se defensores, marcando individualmente e, organizados pelo beque (ou fixo), recompondo a zaga. Os outros quatro jogadores têm a função de fazer a ligação entre defesa e ataque; são os alas defensivos, que auxiliam o beque, e os alas armadores (ou avançados), que fornecem a bola para o pivô. Os quatro alas estão sempre em movimento e desempenham funções defensivas e ofensivas. Alguns times jogam com um atleta que ocupa o meio da quadra, chamado de meia ou, simplesmente, meio-de-quadra.

De acordo com a Federação Paulista de Futebol Society, as principais variações táticas do esporte são as seguintes:

1 - 3 - 3
Os dois alas defensores (2 e 4) podem ter características ofensivas e defensivas. O fixo (3) atua livre para facilitar as coberturas dos seus alas. Os alas avançados (5 e 7) têm de ser velozes e capazes de centrar a bola na área e também de finalizar quando preciso. O papel do pivô (6) nesse esquema é se movimentar na área adversária e finalizar com precisão.

1 - 3 - 1 - 2

Variação do 1-3-3, este esquema pretende repartir melhor o espaço de quadra, recuando um dos alas avançados (5) que vira o meio-de-quadra para equilibrar as linhas defensiva e ofensiva. Assim, têm-se três defensores, um meio-de-quadra e dois atacantes. Os dois alas (2 e 4) podem ter características ofensivas e defensivas. O papel do fixo (3) é fazer as coberturas na defesa e dar a saída de bola. O meio-de-quadra irá armar as jogadas ofensivas e tem de ser um jogador que saiba finalizar e passar com precisão. Os dois avançados têm de ter grande mobilidade, facilidade de se desmarcar, velocidade e bom nível de finalização. Devem também ajudar a defesa, marcando a saída de bola do adversário.

1 - 3 - 2 - 1

Essa distribuição tipo pirâmide tem como objetivo principal reforçar o meio campo, melhorando a distribuição dos atletas em quadra.
O pivô (7) é adiantado, e os dois alas de ataque (5 e 6) ocupam o meio-campo. A defesa mantém as funções dos esquemas anteriores.
Os dois meias jogam lado a lado, mas um tem funções mais defensivas e o outro, mais ofensivas.
Cabe ao pivô ter muita mobilidade, grande facilidade para se desmarcar, facilidade para cabecear, velocidade e boa finalização.
Segundo os técnicos, este sistema dá ao time maior solidez defensiva.

1 - 4 - 2

É a retranca do society, uma variação do 1-3-2-1, com um meia atuando recuado como um segundo fixo (5). É utilizado geralmente por equipes de perfil defensivo, ou perante equipes adversárias muito superiores. Os alas que atuam ao lado dos fixos (2 e 4) sobem para atacar e voltam para defender. Os fixos (3 e 5) atuam na cobertura dos alas, fecham o meio e iniciam as jogadas de ataque. Eles devem ter bom senso de colocação, ser fortes no jogo aéreo e eficazes nos desarmes. Um dos meias (6 e 7) deverá ter funções mais defensivas e o outro funções mais ofensivas.




1 - 2 - 3 - 1

Superofensivo, esse esquema é a contrapartida do 1-4-2. É utilizado especialmente por equipes que “vão para cima” ou contra times muito mais fracos. Os dois fixos (2 e 3) têm de ter muita capacidade para as coberturas, ser muito rápidos, saber iniciar as jogadas de ataque, ser fortes no jogo aéreo e eficazes nos desarmes. Os dois alas (4 e 6) devem ser rápidos, técnicos e com facilidades de chegar à área adversária. O meio-de-quadra (5) deverá ter todas as qualidades de um bom organizador de jogo e saber se posicionar. O pivô (7) deverá ser muito veloz, com capacidade de se desmarcar, saber prender a bola no campo adversário e voltar para ajudar a defesa quando o time não tiver a posse de bola.

Tática nem sempre é seguida
São cinco grandes variações táticas, mas nem todos concordam com tanta regularidade para os 50 minutos de jogo numa quadra de dimensões tão menores que as do futebol de campo. É o caso de Marco Antonio Gonçalves Cardoso, o ‘Batata’, técnico do time da Unip, supervisor técnico da seleção paulista e responsável pelo curso de técnicos da Federação Paulista de Futebol Society. Para ele, não existe, no society, um padrão tático ideal estabelecido pelas equipes antes do jogo e seguido à risca pelos atletas durante a partida: “Não há um sistema tático definido, na minha opinião. Quanto mais estratégias defensivas e ofensivas dispuser o técnico, melhor será o time. Treinado isso, consegue-se ter uma possibilidade de variação muito grande, sem haver a necessidade de substituir atletas. Tudo isso depende dos atletas dos quais dispõe o técnico, do treinamento que se faz, do adversário que vai enfrentar e da desvantagem ou vantagem numérica que pode vir a ocorrer durante o jogo”, afirma.

Já Antônio Zampah, 45, treinador do Veda Água Futebol Society, finalista do Campeonato Paulista de Society do ano passado, acredita que não só existem variações táticas definidas no society, como também são influenciadas pela freqüência com a qual determinado time faz treinamentos.

Detalhe importante: o torneio passado terminou sem campeão, porque o Veda Água não teve adversário. A outra vaga ficou dividida entre Colorado e Unip; a federação optou pela Unip, mas o Colorado entrou na Justiça, e a final até agora não aconteceu.

Voltando à tática. “Times que treinam uma vez por semana ou até uma vez a cada 15 dias, e fazem um jogo-treino, que é o caso do Veda Água, atuam melhor no 1-3-2-1. São três beques, sendo que um ou dois são beques-ala, dois armadores e um pivô. Essa é a melhor formação. Pois, assim desenvolve-se uma postura defensiva que permite ao time estudar o adversário antes de começar a atacá-lo”, defende Zampah. “Essa é uma boa opção para times que treinam menos, pois cria um posicionamento defensivo; com três beques, o time fica bem resguardado e assim evita-se tomar gol logo de cara, dando tempo para o time se organizar e pensar a melhor estratégia para atacar o adversário”, argumenta.

Para o técnico do finalista do ano passado, as outras formações são interessantes para equipes que treinam constantemente.

E como jogam as equipes de ponta? “Normalmente, os melhores times do Paulista jogam com marcação individual no meio da quadra, aí, dependendo do que acontece no jogo, podem ocorrer variações”, explica Batata, da Unip.

Santos e Palmeiras, os finalistas deste ano, jogam com a mesma formação, no 1-3-2-1. O Palmeiras aposta na marcação forte, na qual os dois meios-de-quadra rodam o campo inteiro e têm o importante papel de receber e distribuir a bola quando o time adversário está marcando os alas. Para Paulo Edgard, o “Palito”, técnico do time, o trunfo que fez sua equipe chegar à final foi a forte marcação. “Costumo instruir os atletas a marcar de forma implacável a saída de bola dos adversários; com isso, deixamos o goleiro sem opções para fazer a reposição da bola, a não ser passar diretamente para o pivô. Dessa forma, impedimos que a equipe adversária desenvolva o toque de bola”, explica Palito.

Já o Santos utiliza dois meios-de-quadra de armação e os dois alas são mais defensivos. Para Adriano Alves, supervisor técnico da equipe, o diferencial é o entrosamento do grupo. “Somos um time unido; os jogadores jogam juntos –sem exagero– há mais de dez anos; é um grupo de amigos então que se conhece muito bem, que cada um sabe muito bem como jogar com o outro”, explica Alves, que destaca também o papel dos treinamentos. “O time não pára de jogar; durante a semana, treinamos duas vezes, seja para o campeonato, seja para um jogo na várzea ou para um amistoso.” Na final, porém, ele defende uma tática mais defensiva: “Jogaremos com um pivô recuado, jogando do meio da quadra, esperando o time; vamos ficar no campo de defesa, fazendo forte marcação homem a homem e esperaremos o Palmeiras vir para cima.”

A final será disputada em dois jogos. O primeiro, dia 21 de outubro, às 11h; o segundo, dia 28 de outubro, às 11h50. Ambos no World Ball, na Vila Prudente. O Santos joga por dois empates para ficar com o título.

10 comentários:

  1. Poxa eu estou com time de society e suas taticas ajudaram muito
    obrigado
    abraços!!!

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  2. excelente material para quem pretende ser um tecnico de futebol socity..muito obrigado pela dica tenho certeza que irei melhorar meu time.

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  3. Artigo muito bom.
    Tenho uma equipa com alguns amigos, e estava mesmo a precisar de ajuda no sentido de encontrar algumas soluções para o jogadores se posicionarem no campo.
    Valeu

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    1. vamos joga minha equipe contra sua eu tenho um time Guerreiros F.C do PQ Guarani vamos passa ai seu numero nois marca eu sou de Itaquera.

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  4. Muito útil, vou tentar por em prática no Sábado
    Abço a todos

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  5. otimo para mi q estou começando a carreira como tecnico

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  6. amigo to em um campeonato do sesc só que aqui sao 5 na linha um no gol. como posso posicionar esse time. por favor queria uma luz pois quero melhorar o time

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  7. Muito bom! Sou auxiliar técnica de uma equipe masculina e sou treinadora de um time feminino e esse material facilitou o trabalho com a garotada em dia de jogo!

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